|
|
O estilista Karl Lagerfeld colocou literalmente o inverno Chanel
2010-2011 numa fria. Blocos de gelo de verdade derretiam na passarela
nesta terça-feira, em Paris, por onde as modelos desfilaram como se
saíssem de iglus ou quisessem mostrar as consequências do aquecimento
global, como o derretimento dos icebergs.
Com botas, casacos, calças e jaquetas de pele, as moças andavam
espirrando a água derretida pelo chão. Um inverno rigoroso, com cores
que iam do preto ao branco, passando por marrons e cinza, mas com
algumas peças trabalhadas com um pouco de brilho. A pele, algumas
falsas outras não, apareceram em praticamente todas as peças. O
tradicional casaquinho do tailleur da marca em lã tweed ganhou a
companhia de saia curta e bota de pele. Shorts, calças maxicoletes,
bolsas e gorros também foram feitos com pele. O tricô também veio
forte. Houve espaço ainda para vestidos de coquetel, sempre com
releituras atualizadas ao estilo Chanel.
Proteção
Na segunda-feira, o estilista Stefano Pilati também apresentou
releituras de clássicos da grife Yves Saint-Laurent, mas com uma pegada
austera quase monástica, com alguns looks lembrando hábitos de freiras,
inclusive com o tradicional acessório na cabeça. O italiano disse nos
bastidores que não havia nada de religioso, mas queria passar a ideia
de proteção. Tal proteção pode ter servido de inspiração também para as
capas de chuva transparentes que cobriam algumas peças, na maioria em
preto, branco e cinza, com a inclusão de roupas mais coloridas ao final
do desfile, em azuis, amarelos e rosa, por exemplo.
Como a pegada sportswear está forte nas coleções em geral,
Pilati também soube trazer a tendência nos looks revisitados dos anos
1970, como as calças de cintura alta, os blazers com ênfase nos ombros
e em vestidos mais retos e com o tradicional masculino-feminino
traduzido em laços que lembrava uma gravata branca enorme. E como que
para mostrar que a história monástica talvez fosse só impressão,
tecidos transparentes, com bodies ou não por baixo, também estavam lá.
Uma grande exposição sobre a obra de YSL no Petit Palais começa
oficialmente nessa quinta.
New hippie
A grife Kenzo, desenhada por Antonio Marras, também bebeu de fonte
própria e levou para a passarela roupas inspiradas nos anos 70, que
vestiram personalidades da época. O apelo hippie, agora revisitado e
revisto, trouxe peças com flores, misturadas a listras e xadrezes,
criando um patchwork de estampas que lembram as da época. O estilo
bohemian chic vem com peças largas e compridas dando ideia de
liberdade, tão em voga naquela década.
Maceió Agora
Todos os dirietos reservados
Versão para aparelhos móveis
Acessar versão clássica